Jão se aprofunda no seu lado mais íntimo no disco “Memórias Póstumas”
Disco chegou às plataformas neste domingo (26) e reúne 14 faixas inspiradas por luto, literatura e amadurecimento artístico
Jão lançou neste domingo (26) o aguardado quinto álbum de estúdio, "Memórias Póstumas". O novo trabalho inaugura uma fase mais madura e introspectiva na carreira do cantor, reunindo 14 faixas inéditas que exploram temas como luto, amor, espiritualidade e transformação. O disco já está disponível em todas as plataformas digitais.
Depois de encerrar o ciclo dos quatro elementos que inspiraram seus álbuns anteriores, "Lobos", "Anti-Herói", "Pirata" e "SUPER", o artista apresenta um projeto sem um conceito fechado. Definido pelo próprio Jão como "uma história com começo, mas sem fim", "Memórias Póstumas" propõe uma narrativa aberta, construída a partir de diferentes perspectivas e interpretações.
Grande parte das composições nasceu durante o período em que o cantor se afastou dos palcos e das redes sociais. Esse momento de recolhimento coincidiu com a morte de seu pai, tema que atravessa o álbum desde a faixa de abertura, "Catedral".
Para Jão, falar sobre essa perda é também uma forma de manter a memória do pai viva: "É algo que ainda não processei e acho difícil que aconteça, porque meu pai ainda é muito presente. As pessoas sempre têm receio de falar sobre ele comigo, mas elas não sabem que eu adoro falar sobre ele, mantê-lo vivo."
O título do álbum faz referência ao clássico "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis. A influência da literatura aparece tanto na proposta conceitual quanto na faixa que encerra o disco, "Memórias Póstumas", que faz uma releitura de um dos trechos mais conhecidos da obra.
"Neste disco, a vida e a literatura são a mesma coisa. Quando comecei a escrever, eu precisava usar as palavras para dar novos significados às coisas", explica o artista.
O processo criativo também foi diferente dos trabalhos anteriores. Jão escreveu dezenas de músicas sem seguir uma ordem cronológica. Ao todo, foram cerca de 68 composições, que passaram por um longo processo de seleção até chegar às 14 faixas finais. "São vários caquinhos, sentimentos que você ainda não sabe o nome e um monte de vômitos de palavras que você vai remontando e que, quando você se afasta, revelam a figura toda.", disse o artista.
Ao divulgar a lista de faixas nas redes sociais, o cantor definiu as músicas como "canções sobre a vida, nem sempre como ela é". Musicalmente, "Memórias Póstumas" amplia o universo sonoro de Jão. O artista assina a produção de todas as faixas, dividindo boa parte do trabalho com Zebu, parceiro desde "Pirata". O álbum também conta com produções de Janluska e Gabriel Duarte, além da participação de Érica Silva nos arranjos e de Audryn Souza, responsável pelas flautas que dão um tom delicado e brasileiro ao projeto.
A composição também teve forte participação de Pedro Tófani, diretor criativo dos shows de Jão e seu namorado. Os dois escreveram juntos oito das 14 músicas do disco. Já a faixa "João" é assinada exclusivamente por Tófani, tornando-se a primeira música da discografia do cantor em que ele não participa da composição da letra.
Outro elemento marcante do álbum é a presença de áudios gravados com familiares e amigos durante o fim da última turnê. Os registros aparecem entre as faixas como uma forma de preservar memórias e reforçar o caráter pessoal do projeto.
A espiritualidade também ocupa um papel importante em "Memórias Póstumas". Criado em uma escola franciscana e influenciado por diferentes tradições religiosas ao longo da vida, Jão incorpora símbolos cristãos e reflexões sobre fé, culpa e transcendência em diversas canções.
Entre as inspirações musicais do álbum, o cantor cita "Memórias, Crônicas e Declarações de Amor", de Marisa Monte, "MTV Acústico", do Kid Abelha, e "Ray of Light", de Madonna. Já em "O Amor", uma das faixas mais grandiosas do repertório, o artista reúne nomes históricos da música brasileira, como Marco Mazzola, Rick Ferreira e Paulo César Barros.
Com "Memórias Póstumas", Jão entrega seu trabalho mais ambicioso e autoral até aqui. O disco transforma experiências pessoais em uma obra que mistura música, literatura e memória, consolidando o cantor como um dos principais nomes do pop brasileiro contemporâneo e abrindo um novo capítulo em sua trajetória artística.






















